sábado, 26 de junho de 2010

Quase chegando o recesso!

Por:Alessandra Monteiro Mazzei de Campos

Estamos quase na reta final desse semestre! Que sensação ao mesmo tempo de alívio e de tensão! Alívio porque bate uma sensação de dever cumprido, de perceber que a escola andou, que as coisas funcionaram, muito embora, nem sempre no ritmo, na ordem e no jeito que a gente gostaria, mas avançou... Tensão porque os últimos dias são horrívies...é a impressão de que o mundo vai acabar amanhã, num enorme precipio sem retorno e que todos os prazos que pareciam estar distantes, estão batendo à porta e, para complicar, surgem ainda as reuniões de última hora, o último pedido do departamento tal para entregar no dia seguinte´, tudo a toque de caixa.
Irracionalmente, embora, saiba que daqui a duas semanas tudo volta ao normal, a sensação é de que não voltaremos mais! Acabou...fim de semestre, fim de vida! Incrível! Estou tentando a todo custo me livrar dessa sensação, mas o discurso insistente "só temos mais essa semana" martela minha cabeça, num tic-tac continuo e irritante, igual aqueles relógios antigos que não nos deixam esquecer que o tempo passa.
E, realmente, ele passa e outro tempo vem: o segundo semestre! E vamos nós começar tudo de novo, do jeito que gostamos, nessa adrenalina do imediato!

quarta-feira, 9 de junho de 2010

Novos Desafios

Por: Alessandra Monteiro Mazzei de Campos
Coordenadora Pedagógica
E de mês em mês, já se passou mais de um ano de trabalho como Coordenadora Pedagógica. E o que mudou? Tudo!
Primeiro, que na Emei aonde eu estava (veja bem, estava - uma mudança que já se anuncia) eu tinha avançado em vários pontos e, talvez, o mais importante seria o ter conseguido estabelecer uma rotina minima em que atendia aos vários afazeres e conseguia ainda dar uma "rodadinha" pela escola pra me inteirar de tudo, ou quase tudo pelo menos.
Então, veio o Concurso para o provimento de Cargos e eu prestei, e eu passei, e eu assumi em outra escola, já que minha vaga na Emei era Designada. E aí começa tudo de novo e, dessa vez, com um tempero a mais: estou agora em uma EMEF. Uma realidade absolutamente nova para mim que sou professora de educação infantil desde o início da carreira. E lá vem novas nomenclaturas, nova rotina, atendimento a pais de alunos pré-adolescentes, quadro de aula de professores de Ciclo II, mudança de ensino de 8 para 9 anos, uma festa! E eu...estou bailando no meio de tudo isso, rsss! Mas, o bom é que eu danço mau, piso no pé, entro no compasso errado, mas ainda assim eu gosto e me divirto. Desse jeito tenho outro desafio pela frente, quando tudo parecia tranquilo demais no meu mar!

quarta-feira, 20 de maio de 2009

Aprendendo com saúde


POR: Alessandra Monteiro Mazzei de Campos

Professora e Coordenadora Pedagógica


A prefeitura de São Paulo, desde 2007, tem um programa denominado " Aprendendo com Saúde".

Do que se trata?

Médicos e uma equipe administrativa e de enfermagem vão às escolas para atender os alunos da rede, sendo que a escola se organiza em termos de espaço, documentação e tempo para recebê-los.

O que fizemos em nossa escola?

Duas semanas antes marcamos reuniões com os pais para explicar o programa, solicitar os documentos necessários e coletar as autorizações necessárias.

Na semana anterior, enviamos todos os bilhetes com o agendamento do dia e hora em que o aluno seria atendido.

Preparamos uma linha de tempo adaptada à nova condição, já que teríamos que ceder quatro salas de aula para o atendimento médico.

Organizamos os espaços que deixaríamos para o uso dos alunos de forma a garantir condições de trabalho ao professor.

Preparamos os documentos dos alunos, separando individualmente em sacos plásticos os prontuários e agrupando-os por turma e turno.

Preparamos senhas, tomamos fôlego e lá fomos nós.

E ,graças ao esforço de professores, coordenação, direção, agentes e toda equipe escolar conseguimos receber o programa e, muito importante, conseguimos manter o nosso trabalho com dias o mais produtivos possíveis.

Em muitos momentos, temos algumas dúvidas sobre o atendimento médico dentro da unidade escolar, já que sabemos que isso afeta diretamente a rotina e o andamento dos trabalhos dentro da escola. Durante duas semanas, nos mobilizamos para isso e, em muitos momentos, deixamos de atender questões escolares para nos concentrar em organização de documentos e organização diferenciada de espaços e tempos. Mas, por outro lado, embora desejássemos que esse atendimento fosse dado no posto de saúde mais próximo, também percebemos que, sendo na escola, a frequencia dos alunos no programa é garantida e mais crianças são atendidas. Além disso, não podemos negar que a qualidade do serviço é impecável...os médicos viram a criança de cabeça pra baixo, no melhor sentido da expressão, encaminham para o especialista, enfim oferecem atendimento de qualidade.

Vincular um programa de saúde ao espaço escolar nos restringe, mas não somos insensíveis em perceber que crianças com boas condições de saúde aprendem melhor, aproveitam melhor as atividades propostas e são, em potencial, mais ativas e dinânicas. Portanto, por quase três semanas lidamos com situações que extrapolam o universo escolar e depois pretendemos colher os frutos com alunos mais saudáveis que aprenderão melhor e aproveitarão melhor as oportunidades escolares.

E é assim com esse espírito de credibilidade no que pode ser o melhor para o aluno a longo prazo que cedemos o espaço, o tempo, a disponibilidade, as organizações temporárias e outros fatores.

Num certo idealismo, gostaríamos que o espaço e o tempo escolar fosse mais preservado, que não houvesse entrega de leite, atendimento médico e outros programas dentro da escola. Que programas de saúde fossem realizados nos postos, que programas sociais fossem realizados nas Secretaria de bem - estar social. No entanto, pensamos: a abrangência do atendimento seria tão eficaz?

Somos ainda idealistas, no entanto, com o pé no chão suficiente para perceber que a escola ainda é o atualmente o melhor lugar para cuidar da criança. Além é claro de sua função primordial: o educar, é claro.

domingo, 26 de abril de 2009

Cotidiano, como diria Chico Buarque

Por Alessandra Monteiro Mazzei de Campos
Professora e Coordenadora Pedagógica

Tenho muito, mas muito mesmo, pouco tempo como Coordenadora e posso dizer que o mais difícil para mim nesse momento tem sido estabelecer uma rotina em meu cotidiano e fico pensando, será que todo mundo é assim ou só eu?


Tenho tentado usar uma agenda, onde coloco o que é prioritário naquele dia e os compromissos já agendados com hora marcada, como recebimento aos pais que foram chamados ou requisitaram uma reunião, encontros de formação marcadas pela DRE, reuniões internas com a diretora e assistente de direção, horários de formação diárias com as professoras. Aí, no que sobram das 8h de trabalho, vou almoçar nos meus 30 minutos e fazer as outras coisas: organizar eventos da escola, preparar as leituras e estudos do mês, vistar e analisar os diários de bordo*, os livros de hora atividade, os diários de classe, os livros de registro do PEA e outros documentos da unidade escolar, fazer compras para a preparação das atividades propostas pelas professoras, isso sem contar o fato de que tenho o desejo de participar da escola, da vida da escola, no sentido de acompanhar um momento de lanche, de ir ao parque com uma turma e a professora, de frequentar a sala de leitura com um grupo, enfim de ver in loco o que estudamos e o que é programado no dia-a-dia da nossa escola.


Essa última parte é a que eu tenho deixado mais a desejar, não tenho conseguido fazer isso assim, do jeitinho que gostaria..., mas eu chego lá, oh se chego!





* diário de bordo é um relato semanal das professoras sobre as atividades desenvolvidas com seus alunos e compartilhada com o grupo no momento de estudo para análise, discussão e troca de experiência.


domingo, 19 de abril de 2009

A linha de tempo! Esse enrosco!

Por: Alessandra Monteiro
Professora de Educação Infantil & Coordenadora Pedagógica.
A discussão sobre o uso do espaço e do tempo na educação não é novidade! Aliás, ela é recorrente porque vários motivos:
Primeiro - porque, graças a Deus, estamos sempre estudando novas metodologias, pensando em estratégias e buscando novas formas de usar o espaço escolar produtivamente;
Segundo - porque cada escola apresenta uma realidade diferente, com alternativas, movimentos, espaços diferenciados e maneiras de concepção do espaço distintos;
Terceiro - porque continuamos pensando no tempo ao percebermos que o usamos inadequademente e não aproveitamos todo o tempo pedagógico de forma real.
Além desses, com certeza existem muitos outros, mas prefiro escrever aqui sobre a nossa prática e nossas problematizações na escola que estou atuando como coordenadora pedagógica, as soluções encontradas e as dúvidas que pairam no ar.
Em nossa Escola, a EMEI Prof. Ottilia de Jesus Pires, desde 2008, optamos por criar salas ambiente e assim confiramos nosso espaço: três salas de aula, uma brinquedoteca, uma sala de jogos, uma sala de leitura, uma sala de vídeo.
No começo nos perdemos bastante porque não sabíamos bem como compartilhar espaços, em especial a sala de aula, porque estávamos acostumadas com cada turma e seu respectivo professor sendo o "dono" exclusivo de uma sala em seu período e depois nos deparamos com um certo rodízio, em que no mesmo período, no mesmo dia, dois professores se revezam no uso desse espaço e, portanto, a organização do espaço e o respeito ao tempo para deixá-la desocupada precisava ser observado.
Além disso, nos deparamos com a organização dos materiais e outros detalhes que parecem simples, mas que na prática precisam ser bem pensados, porque a linha de tempo precisa funcionar, os materiais das salas ambiente precisam estar em ordem para que a turma a usá-la tenha tudo ao seu dispor e uso o tempo naquele espaço sem detrimentos, como por exemplo, procurando controle remoto de vídeo ou chave de armário de jogos, ou recolhendo peças que outras turmas tenham deixado desorganizado.
Por conta disso, em 2008 foi um grande período de adaptação para toda a escola e para a mudança de concepção interna dos profissionais, que precisaram internalizar novas práticas. Em muitos momentos, mesmo sabendo do prejuízo causado, fizemos muitas alterações de linha de tempo, mudando a rotina de nossas crianças, o que oas deixou mais agitadas e gerou um pouco de improdutividade no trabalho.
Esse ano tínhamos alguns entraves já resolvidos, no sentido de sabermos conscientemente das necessidades de organização para a boa funcionalidade e uma certeza: a de que precisariamos pensar em uma linha de tempo que fosse aplicada sem grandes alterações até o fim do ano de forma a garantir a continuidade do trabalho e a segurança necessária para os alunos.
E lá fomos nós, na reunião de Organização Escolar, para preparar uma linha de tempo que fosse adequada para os três turnos de trabalho, cada um com sua particularidade.
Nada fácil!
Fizemos e nos mantemos firmes no propósito de não sujeitá-la a grandes alterações, porque estamos convictas da importância de mantermos uma rotina com nossos grupos de alunos. Sabemos das dificuldades e, mais do que saber, a vivemos na pele, com uma adequação do uso do tempo, como desafio de que seja produtivo e não só um vai e vem de um lugar para outro numa correria desenfreada.
Tentativas, movimentos e vontade!

terça-feira, 17 de março de 2009

Experiências de leitura e escrita

Por: Alessandra Monteiro Mazzei de Campos
Estamos lendo um texto muito interessante da revista Avisa Lá, de abril de 2008.
O texto, além de delicioso, traz trechos de escrita de crianças de 5 anos, com toda a sua naturalidade e visão de mundo que nos faz soltar um sorriso com o canto dos lábios quando percebemos a delícia que é perceber o mundo pelo olhar de uma criança e como elas se expressam quando tem oportunidade.
Exatamente pensando sobre o oportunizar a escrita na sala de aula, nos questionamos sobre os momentos que ofereceremos às crianças os recursos materiais e pedagógicos para que sejam escritores. Será que estamos nos deixando nossas crianças escrever ou elas só escrevem nas atividades prontas que entregamos a elas, nas cartas que queremos elas escrevam para a mamãe e o papai nos dias de comemoração, na capa de uma atividade, no título de um desenho? E quando ela quer escrever? Arranca folha de agenda, escreve no canto da folha de atividade, na beirada da lousa...
E queremos que elas testem mais suas hipóteses de escrita? Que se sintam à vontade com a linguagem verbal?
Como?
Depois de lermos o texto, nos confrontamos com essa questão e descobrimos que, o pior, usamos a escrita da criança como tapa buraco para aquele momento em que uma parte da turma terminou a atividade proposta e a outra não, distribuindo folhas avulsas para os rapidinhos. Então, aquele que demora mais para completar a atividade nunca tem tempo de exercitar a sua escrita, como bem lembrou a professora Cíntia.
Nesses momentos de conversa, puxamos nossa memória e a professora Andréa relatou uma fala de um aluno, que ao terminar de ouvir a história do Castelo RaTimBum, expôs sua vontade de desenhar e escrever o Mau, mas que não tinha como fazer isso.
Então, chegamos a algumas opções, mas o melhor, pensamos em nossa intencionalidade ao oferecer papel e lápis para nossas crianças, não como tapa buraco, mas com o obejtivo de oportunizar situações reais de escrita, em que ela possa escrever sobre algo que viu no dia, escrever um bilhete para um colega da sala, brincar de mercado, de preencher cheque, de compor lista dos amigos, de preparar carta para os familiares e para a professora, tendo a clareza que quando produz, nós, as educadoras, estaremos ali para fazer questionamentos, apresentar soluções, propor parcerias e não, simplesmente, observar a escrita sem nenhuma interferência.
Planejamento, tempo, material acessível,interferências significativas = avanços na aprendizagem!

terça-feira, 10 de março de 2009

Ler e alimentar a alma!

Por: Alessandra Monteiro Mazzei de Campos

Lemos um artigo da Revista Avisa lá sobre a linguagem verbal.

Para mim foi uma experiência incrível ler três vezes (são três grupos de estudo) o mesmo texto.

Chato, enfadonho, repetitivo? Não. Incrivelmente, não.

Embora eu o tenha lido por 3 vezes, foram 3 novas vezes, porque a cada pausa que fazíamos, os comentários, as idéias que surgiram eram outras, eram professoras que estavam ouvindo pela primeira vez, que traziam novas compreensões, dúvidas, sugestões, casos! Com cada grupo o encaminhamento da leitura foi um, embora, ao final, tenhamos chegado a um consenso bem parecido.

O texto tratava da experiência de escrita para crianças com menos de cinco anos e pudemos pensar nas oportunidades de escrever que oferecemos às nossas crianças.

Quantas vezes ela escreve o que quer, quando quer, de acordo com a emoção e o desejo de registrar em palavras (convencionalmente ou não) sua vida? Ou ela só escreve quando nós, adultos, determinamos que é momento da atividade de escrita? Num mundo tão letrado, onde as letras nos atropelam, quando nossa criança é convidada a ler? Alías, ela precisa esperar convite?

São tantas perguntas que nos colocam em xeque! Que nos fizeram pensar e nos deram idéias. Idéias que tomaram corpo: bloquinhos de escrita para as crianças usarem na sala de acordo com sua vontade, mensagens aos pais escritas pelos alunos em dias de reunião para recepcioná-los, mensagens aos filhos escritas pelos pais no dia seguinte à reunião, cartas entre turmas que dividem as salas em horários diferentes...Oportunidades de escrita real, com assuntos que a criança queira tratar, que seja o que é a escrita verdadeira: uma comunicação.
Foram propostas, idéias, mas o importante foi sentir a vontade de FAZER, de transformar o que se leu em ações na sala de aula.

O interessante é que dividimos o texto em duas partes, uma para hoje, outra para o próximo encontro e foram tantas idéias que fiquei com uma reflexão para mim: primeiro devemos exercitar o que lemos nesse trecho, colocar essas idéias em prática nesses dias, relê-lo e depois continuar, ou seguir adiante? Algo que preciso decidir atá o próximo encontro! Uma nova aprendizagem para mim, aliás mais uma entre as tantas que tenho vivido nesses dias 30 dias de coordenação!

Mesa redonda...

Esse ano começou um pouco diferente.
No início de fevereiro, bem na semana de organização escolar, saí da sala de aula e fui para a sala de coordenação. Pois é...tomei coragem, engoli um sopro de ar e fui...
Não, eu fui e fiquei, porque é muito bom poder exercer o cargo de coordenadora tendo sido professora por toda minha vida profissional.
Ainda mais se, na escola que você está, a grande maioria das professoras tem o comprometimento e o pensamento parecido com o seu. Aí fica fácil - é um topa tudo!
Amanhã, faço aniversário: um mês como Coordenadora Pedagógica.
Sobrevivi aos primeiros trinta dias: sobrevivi ao período de organização escolar, aos mil horários em que os portões da escola abrem e fecham com as turmas mistas de integral e parcial da escola, às elaborações de plano de metas, de planejamentos, de diretrizes e escrita efetiva dos PEAs, à seleção de bibliografias para estudo, às cobranças internas, às cobranças externas, à primeira reunião de pais, a tantas coisas do dia a dia que nem sei contar.
E agora, enquanto escrevo essas minhas memórias curtas de um mês, um meio sorriso danado vai surgindo no meu rosto, me lembrando que agora, escrevendo, parece que tudo já passou a tanto tempo, que nem era tanta coisa assim... Pois é, somos assim, movidos pelo desafio e pela satisfação das conquistas. É claro que nem tudo foram louros. Nossa, é claro que não! Entreguei o documento do PEA nos últimos minutos do segundo tempo. Sofremos com crianças chorando nos primeiros dias, com confusões de portão de entrada e saída...mas, superamos: eu, a equipe técnica, a equipe docente!
Teremos outros desafios nos próximos 9 meses que vem pela frente, mas estaremos lá, resolvendo, chorando, sorrindo, se envaidecendo quando algo dá certinho, se cobrando quando algo saí fora do plano, se surpreendo com as novidades de cada dia.
Porque o máximo da escola é isso: não tem nenhum dia que seja igual ao anterior. Com rotina, com linha de tempo, com planejamento, com tudo, são 35 crianças em cada sala que chegam diferentes a cada dia, são 26 professoras que chegam com novas idéias, com novas histórias, com novos problemas, com novas soluções, são milhares de livros para se ler, milhares de filmes para se assistir, milhões de assuntos para se discutir.
Nesse sentido, se eu tinha algum medo (e eu tinha muito medo) de que a coordenação é diferente da sala de aula, ele foi por terra nos primeiros dias. Não parei. Tinha tanta coisa para fazer que me senti no dinamismo de sala de aula.
E hoje, estudando com as professoras no nosso horário coletivo, me senti muito bem também. Me senti participando da aprendizagem (ensinando e aprendendo ao mesmo tempo) do mesmo jeito que sempre fiz com os alunos. Trocando, ouvindo, falando, me emocionando!
Cada professora de nossa escola tem o seu diário de bordo, onde escreve semanalmente suas experiências em sala de aula. O formato é livre. Também tenho o meu, que posto aqui, com muita felicidade.

sábado, 25 de outubro de 2008

A Semana da Criança

Por: Alessandra Monteiro


O dia das crianças pode até ter uma conotação puramente comercial se não validarmos uma outra visão desse momento na escola.

Na escola em que trabalho, tivemos o cuidado de elaborar um roteiro e desenvolver atividades que dessem prazer as nossas crianças, em que se sentissem valorizadas e que aproveitassem com os seus direitos assegurados essa deliciosa fase da vida.

Como idéia, podemos e devemos trabalhar primeiramente com os direitos da criança: o direito de brincar, de ter suas necessidades básicas atendidas, de estudar, entre outras para que sejam concienstes que qualquer dia comemorado tem uma significação muito maior do que somente receber um presente. Mesmo porque, lidamos com uma realidade social que valoriza o consumo exarcebado por um lado e por outro, tem uma quantidade imensa de pessoas com dificuldade de por o pão na mesa, imagine gastar com brinquedos.

A escola, proporcionou, então, momentos excepcionais em que as crianças brincaram para valer: desfilaram fantasias, assistiram a cinema e teatro na escola, dançaram, brincaram com balões pula-pula...ou seja, foram CRIANÇAS.

O resultado disso foram professores, pais, funcionários e crianças felizes!

Não é isso que esperamos no dia das Crianças?

segunda-feira, 1 de setembro de 2008

Ritmos e sons...


Por: Alessandra Monteiro Mazzei de Campos



O trabalho com música na Educação Infantil não se restringe a ensinar musiquinhas gostosas de nossa época de infância, muito embora, as crianças gostem e se envolvam com as músicas que cantamos juntas e trazem sons onomatopaicos, referências a animais ou partes do corpo, por exemplo.

Mas, podemos e devemos ir muito além disso, embora não tenhamos formação musical.

O que fazer então?

Podemos investir, em uma atividade permanente, com a exploração de diferentes ritmos sendo acompanhados de chocalhos, batucadas usando latas vazias, palmas e outros alternativas.

Assim, podemos acompanhar músicas, perceber a melodia, estudar o ritmo e acompanhá-lo com uma boa audição e momentos de atenção, cultura e lazer.

Além disso, por que estudar apenas o repertório de músicas infantis?

Podemos levar para nossas aulas muitos outros estilos musicais como o samba, o rock, o clássico, a rumba, a música árabe, as percussões africanas e baianas proporcionando uma ampliação cultural e permitindo aos nossos alunos conhecer para poder escolher o que mais gosta.

As aulas podem ser cheias de novidades, de estudos de ritmos, estilos e elementos musicais variados e ricos.

A família pode ser uma grande contribuidora, nos dando dicas de músicas e ritmos de sua terra natal e, tendo algum familiar que toque instrumentos, pode proporcionar ao grupo a audição e também um momento de tirar dúvidas e de conhecimento mais profundo sobre a Música e os instrumentos musicais.

Os passeios também enriquecem a experiência musical, como, por exemplo, uma visita a Sala São Paulo que tem uma programação voltada para as crianças, bastando entrar em contato, agendar e encher os olhos e os ouvidos com uma vivência única e especial. Estando atento é possível verificar e organizar passeios ao Memorial da América Latina que também tem uma programação rica e aos SESCs mais próximos que trazem musicais e oficinas especiais.

É claro que um passeio, para quem trabalha na rede pública, envolve não só a organização e o planejamento, mas também a locação do ônibus e alguns entraves financeiros, então, se não for possível enriquecer o trabalho com Música com esse tipo de experiência, cds e dvds fazem sua parte com sucesso!
http://primeiroturnoemeiottiliadejesuspires.blogspot.com/

O parque


Por: Alessandra Monteiro Mazzei de Campos


No parque acontecem aprendizagens que muitos olhares não percebem! Aliás quem vê as crianças correndo pra lá e pra cá, talvez nem se dê conta de tudo o que acontece ali, então vamos por partes, certo?

Olhe uma criança brincando com areia. Bom, pra começar você não verá só uma criança brincando, mas o legal é que você vai vê-la brincando com outras... E elas, na brincadeira, aprendem a combinar o que desejam fazer com a areia, alimentam a imaginação com pedaços de madeira e pedrinhas que se transformam em temperos e guloseimas para refeições imaginárias. Vivenciam, na brincadeira, atitudes que os adultos fazem como a preparação dos alimentos, fazem de conta que vão até o mercado para comprar os itens que precisam. E assim experimentam no faz de conta às situações que viverão quando crescerem. Estão aprendendo a entender o mundo e participar da sociedade que fazem parte. Nossa e isso só com uns baldinhos e areia, hem?

Na areia, há vida além do bolo de aniversário e dos parabéns a você.
A areia possibilita outras aprendizagens também, como ela adquire a forma do que a suporta, as crianças fazem muitas experiências e a transformam no que querem, assim como a sua consistência, colocando mais ou menos água. A areia ganha formas e sentidos inusitados.

Pois é, mas não para por aí!

As crianças estão no balanço, no gira-gira, na gangorra...Além de sabermos que esses brinquedos contribuem para o desenvolvimento do tônus muscular, há muito mais aprendizagens sociais. Olhe só: eles precisam administrar a vontade de brincar em algo que já está ocupado e esperar a vez (quantas vezes precisamos fazer isso em nossa vida adulta?); se vêm na situação de ceder a vez ao perceberem que já estão há muito tempo no brinquedo e outro colega (aquele amigão) também quer ir; precisam convidar alguém para dividir a gangorra, já que ninguém brinca ali sozinho e com isso aprender a ouvir sim e não para os seus convites e não se desesperar com isso; precisam pensar e inventar soluções criativas para dividir uma balança, um espaço no trepa-trepa; eles enfrentam desafios de verem colegas mais ligeiros em certos brinquedos e não se frustar com isso e os mais ligeiros aprendem a respeitar o tempo de outro que gira mais devagar, mas que sobe mais alto e assim aprendem que as diferenças fazem parte da vida!

Esses brinquedos de parque ganham outras vidas com cordas e panos e se transformam em foguetes ou em castelos possibilitando vivências imaginárias.

Quer um exemplo: Alguns meninos de minha turma são fanáticos por pipas. Como ainda não desenvolvi uma atividade de oficina para montá-las isso não os impede de empiná-las assim mesmo e soltam totalmente sua imaginação em nosso horário de parque. Sobem nos brinquedos como se fosse a parte mais alta de suas casas, pegam os potes e baldes de areia e fazem de conta que estão enrolando e desenrolando a linha, olham pra o céu e “enxergam” suas pipas coloridas sendo cortadas ou cortando a pipa do outro. Se empolgam, comentam, riem e discutem sobre o que vale ou não nessa brincadeira. Pegam baldes, peneiram areia e fazem como se estivessem passando cerol na linha. Em sala, desenham e escrevem sobre todas as pipas que empinaram no parque, em suas mentes ricas e férteis, cheias de vivências e trocas. Para mim, que os assisto e interfiro quando necessário é riquíssimo e não paro de pensar quem, na verdade, está aprendendo mais – eu ou eles com nossas idas ao parque.

O parque tem flores, pedras, folhas que geram coletas e coleções dos cientistas e matemáticos.

Esses cientistas natos observam a secura do parque nos dias de falta de chuva, ou discutem os empoçamentos no dia seguinte a uma chuvarada, dão idéias, criam soluções, buscam alternativas, questionam e aprendem sobre o mundo que os cerca, fazem comparações com outras vivências, citam exemplos...

Acho que escreveria umas dez folhas para falar de tudo o que um simples parque oferece, mas paro por aqui e deixo os adultos que lêem esse blog com aquela saudadizinha de quando fazia tudo isso no parque.

Ou não se reprima e suba em uma boa balança, dê uma volta no gira-gira, hem?

Adaptar-se: uma realidade humana

Por: Alessandra Monteiro Mazzei de Campos

Como poderia descrever os primeiros dias de aula em uma sala de educação infantil?
Tem várias formas porque tem muitos rostos:
*Os rostos dos pequenos que nunca frequentaram uma escola em suas vidinhas. Rostos que, às vezes, estão escondidos por trás das lágrimas que choram de medo do lugar estranho, das pessoas diferentes que nunca viu, da saudade da mamãe, da vovó ou de quem lhe cuidasse. Rostos de olhos curiosos, por vezes até um pouco arregalados com tantas novidades. Rostos de sobrancelhas franzidas e biquinhos desconfiados sobre todo aquele espaço e aquela gente circulando o tempo todo. Rostos sorridentes e cheios de expectativas perante o monte de coisas que poderão realizar.
* Os rostos das crianças que já conheciam a escola, mas que iniciam um novo ano, acompanhados de sorrisos alegres ao encontrarem com os velhos colegas, de olhos atentos as novidades que sempre aparecem, gestos de saudade pelo que viveram e sentiram no ano anterior, corações apertados da ansiedade do que o novo representa.
* Os rostos dos pais e mães que sentem a apreensão de deixar seus filhos em um lugar que não é bem a casa deles, embora digamos que a escola é nosso segundo lar, com pessoas que mal se conhece, se alimentando de comidas que eles não prepararam...Rostos de esperança de que seus filhos serão felizes durante as horas que passarem ali e que o que aprenderem será muito útil na vida futura.
* Os rostos dos professores ansiosos pela sua nova turma que chega, curiosos em ver as "carinhas" que estarão presentes em seu dia-a-dia durante um ano inteiro, apreensivos quanto a grande responsabilidade que é educar e cuidar dos filhos de outras pessoas que lhe confiaram essa tarefa.
* Rostos de todos que passam seu dia em volta das crianças, trabalhando por elas e para elas, cheios de expectativas, voontades, medos, superações...
E todos esses rostos que passam na escola, desde o seu primeiro dia, durante o período de adaptação e, depois, o ano todo, traduzem essa miscelânia de sentimentos que nos acompanha e que nos ajuda a viver o cotidiano da escola como um lugar especial, onde o profissional da educação e aquele que é atendido tem um objetivo muito grande a ser alcançado: ajudar nossas crianças a serem um pouco mais felizes!

Entre o que pensamos e o que fazemos...

Por Alessandra Monteiro Mazzei de Campos

Outro dia, conversando com uma formadora que admiro muito e que estava me dando muitas dicas de trabalho com sequência de atividades para crianças da Educação Infantil, fiquei me perguntando muitas coisas.
Conforme ela me orientava e me abria os olhos sobre procedimentos que eu poderia ter adotado e não adotei, passava pela minha cabeça: mas como eu não fiz isso, como não aproveitei melhor o potencial da crianças, como não fiz exatamente o que havia me proposto e, que, no caso, era ampliar o repertório cultural do meu grupo? E o pior, como eu achava que estava alcançando meu propósito quando não estava?
A gente estuda, faz curso aqui, curso lá, lê, conversa com gente que nos acrescenta um monte de idéias, pensa a respeito de como elaborar e trabalhar bons projetos didáticos e sequencias de atividades, mas, na hora H, ainda temos dificuldade em transformar conhecimentos e ideais de educação em práticas enriquecedoras de sala de aula.
É claro que acredito que já avancei muito e sinto prazer em desenvolver atividades e projetos com características que chegam bem próximas àquilo que acredito em educação, mas ainda percebo muitos limitadores de minha própria construção como professora.
Medo, insegurança, falta de preparo? Bom, um misto de tudo. Medo porque sempre amedronta aquilo que é diferente do que vivemos e a Escola que eu estudei é bem diferente da Escola que eu trabalho. E Escola com letra maiúscula mesmo, no sentido de instituição.
A Escola tem sofrido muitas transformações e, mesmo correndo o risco de ser uma Poliana, acredito que muitas foram positivas. Digo pensando no histórico da Educação Brasileira, quando o acesso a educação formal estava totalmente restrita a pessoas muito abastadas. Bom, e hoje em dia? A escola não favorece quem é mais abastado? Sim, mas ela avançou no sentido de estender a todos. O passo seguinte é que sejam alcançados níveis de excelência no ensino sem diferenças gritantes entre níveis sociais. Mas, sendo otimista, penso que estamos caminhando (a que passos eu não vou julgar agora) e vivemos o ensino obrigatório a todos garantido pela legislação.
Finalmente, a educação começa a ser melhor discutida, alguns pressupostos questionados, outros paradigmas quebrados e o ensino, em breve, deixará de ser apenas legalmente obrigatório, mas qualitativamente eficiente. Espero!
Mas, mesmo assim, eu, professora, embora estude, embora aprecie minha profissão, embora queira evoluir, me vejo tendo posturas que gostaria de modificar, me prendo em modelos, penso em estratégias de ensino e procedimentos, mas atuo de maneira tradicional e arcaica.
O que precisamos fazer para modificar ações?
Mesmo sendo crítica comigo mesmo, o caminho talvez seja esse mesmo e, assim como a Educação de forma geral precise seguir certas trilhas para ser ao mesmo tempo universal e de qualidade, eu precise primeiro estar muito sedimentada em minhas convicções pedagógicas, precise testar e experimentar muitas situações em que perceba, no meio do processo (ou até no final) o que e como poderia fazer diferente e melhor.
Se a criança passa pela elaboração de diversas hipóteses de escrita para chegar na convencional, talvez eu deva admitir a mim mesma que preciso passar por etapas de hipóteses de "como ensinar bem" para chegar ao ideal que acredito.
Ninguém nasce pronto, não é mesmo!
O que tiro dessas reflexões é que cada vez mais acredito na Avaliação.
Eu não poderia ter momentos de crítica e reflexão se não tivesse instrumentos de avaliação que me permitissem perceber se a minha intenção didática foi alcançada, se as atividades foram pertinentes e enriquecedoras ou se eu apenas reproduzi um modelo e as crianças não avançaram tudo o que podiam. Avaliar é preciso! Refletir é preciso!Se rever é preciso! E a formação é essencial!

Uma sala de Educação Infantil


Uma sala de educação infantil pode ser muitas coisas em um mesmo dia, pode ser tudo o que a sua imaginação, criatividade, boa vontade, conhecimento e desejo permitir!
Pode começar o dia sendo uma grande sala de bate papo. Sim, digo grande, porque as EMEIS de São Paulo tem, em média,35 crianças e, portanto, papo é o que não falta. Não falta papo, não falta assunto, não faltam momentos de intervenção do professor, não faltam concordâncias, discordâncias, conflitos, soluções, trocas, respeito a fala do outro... Falta, às vezes, condição para que todos fiquem bem acomodados, confortáveis! É isso falta, mas o prazer da conversa é tão grande que a gente esquece um pouco do chão duro e de não dar pra se esparrar todo.
Na sala de educação infantil também há metamorfoses. Momentos em que nos inspiramos em Ralu Seixas e nos transformamos em outras pessoas ao lermos histórias e assumirmos as caras e bocas dos personagens de nossos livros. Nessa hora, não falta mesmo é o prazer da leitura compartilhada, dos olhos brilhando, da ansiedade em saber o que vai acontecer.
E, de repente, não mais do que de repente, a sala de aula, que já foi sala de bate-papo e sala de leitura, vira um atelie. E lá se vão pranchas de artistas para serem apreciadas, tintas, pincéis, godês, panos, colas, tesouras, papéis diversos... Quem passa na porta e vê pode até pensar que está uma bagunça, mas não está. O que se tem são muitos corpinhos se movendo na busca pelo material que vai fazer os muitos pensamentos das cabecinhas se tornarem um tela, uma colagem, um desenho, uma escultura.
E não para por aí, porque o atelie se transforma em uma exposição, porque afinal todos podem e devem compartilhar o que fizeram, comentar, discutir, apreciar a obra do outro, pensar no que e em como foram trabalhadas as idéias e os materiais.
E novas transformações vão ocorrendo a cada dia, a cada hora. E o espaço se transforma junto. Acompanha as necessidades das crianças e as intenções didáticas da professora.
Necessidades que precisam ser atendidas. Como a criança que vive num mundo letrado e está ansiosa para usar os códigos precisa de momentos em que a sala vira um laboratório de escrita, onde ela vai experimentar, testar e avançar em suas hipóteses com o apoio e as interferências da professora, com material didático enriquecedor.
Por isso, eu, como professora de Educação Infantil a tantos anos, só posso dizer que seja em Creche, seja em EMEI, seja em uma Escola Particular, as salas de educação tem uma varinha mágica que a transforma para nós e para as nossas crianças naquilo que quisermos.